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Coito programado: veja como é realizada a técnica



Os percentuais de infertilidade registrados no mundo todo permanecem em curva ascendente a cada ano, tornando o problema considerado questão de saúde pública mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

As alterações na fertilidade feminina ou masculina podem ser provocadas por diferentes

fatores, de maior ou menor gravidade. Como geralmente são assintomáticos, principalmente

nos estágios iniciais das doenças, tendem a ser descobertos diante de tentativas malsucedidas para engravidar.


No entanto, apesar da alta incidência, a infertilidade tem tratamento em boa parte dos casos.

As técnicas de reprodução assistida são consideradas padrão quando há o desejo de

engravidar, contribuindo bastante para aumentar as chances de isso acontecer.

Elas são indicadas de acordo com a gravidade do problema, sendo classificadas, dessa forma, como de baixa ou alta complexidade.

O coito programado, chamado ainda relação sexual programada (RSP), está entre as três

principais. Continue a leitura deste texto até o final para conhecer melhor a técnica e saber como ela é realizada.


O que é coito programado?


As três principais técnicas de reprodução assistida são o coito programado ou relação sexual

programada (RSP), a inseminação artificial ou inseminação intrauterina (IIU), de baixa

complexidade, e a fertilização in vitro (FIV), de alta complexidade.


Na técnicas de baixa complexidade a fecundação acontece de forma natural, nas tubas

uterinas, por isso o processo é conhecido como in vivo. Já na FIV, de maior complexidade,

óvulos e espermatozoides são fecundados em laboratório e os embriões formados

posteriormente transferido para o útero materno.

O coito programado, entretanto, é considerado a mais simples das três. Além de ser de fácil

execução também possui um custo baixo e proporciona a solução de diferentes problemas de infertilidade feminina provocada por fatores mais leves, incluindo, por exemplo, os distúrbios de ovulação.


Os distúrbios de ovulação são considerados a causa mais comum de infertilidade feminina.

Têm como característica dificuldades no desenvolvimento, amadurecimento e rompimento do

folículo, bolsa que contém o óvulo primário: a cada ciclo menstrual vários folículos são

recrutados, porém apenas um deles desenvolve, amadurece e rompe liberando o óvulo.

Distúrbios de ovulação, portanto, resultam em ausência de ovulação ou anovulação. Dessa

forma, não há fecundação.

A doença mais associada à anovulação é a Síndrome dos ovários policísticos (SOP), um

distúrbio endócrino comum em mulheres durante a fase reprodutiva. O coito programado é a

primeira indicação quando há diagnóstico de SOP.

Outra doença feminina, a endometriose, cuja característica é o crescimento anormal de um

tecido semelhante ao endométrio, que reveste internamente o útero, em órgão próximos, nos

estágios iniciais também pode interferir no processo de desenvolvimento e amadurecimento

folicular (foliculogênese), resultando em distúrbios de ovulação

O coito programado possibilita o tratamento de mulheres com endometriose inicial ou

mesmo quando há o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente (ISCA), assim definido se os exames tradicionais falharem em identificar a causa.

Para ser beneficiada pela técnica, entretanto, alguns critérios devem ser observados: as tubas

uterinas precisam estar saudáveis e os espermatozoides dentro dos padrões considerados

normais, uma vez que a fecundação acontece como na gestação espontânea.

Além disso, é mais adequada para mulheres com até 35 anos, que ainda possuem níveis altos de reserva ovariana (quantidade de folículos presentes nos ovários), naturalmente mais baixos a partir dos 36 anos, quando a qualidade dos óvulos se torna, ao mesmo tempo,

comprometida.


Conheça as etapas do coito programado

O coito programado envolve duas etapas: estimulação ovariana e a programação da relação

sexual.

Estimulação ovariana, como o nome sugere, é um procedimento que estimula o crescimento,

desenvolvimento e amadurecimento de mais folículos, para obter uma quantidade maior de

óvulos maduros, aproximadamente 3.

Para isso, utiliza medicamentos hormonais sintéticos, semelhantes aos hormônio naturais,

administrados em doses mais baixas no início do ciclo menstrual.


O desenvolvimento dos folículos é acompanhado por exames de ultrassonografia transvaginal realizados a cada dois ou três dias, indicando o momento em que eles atingem o tamanho ideal, quando novos medicamentos são administrados induzindo o rompimento e ovulação.

A ovulação ocorre em aproximadamente 36 horas. Como os espermatozoides podem

sobreviver por até cinco dias no organismo feminino, os dias que antecedem a administração

dos medicamentos indutores e o período posterior são considerados o intervalo ideal para

programar a relação sexual, com mais chances de a fecundação ser bem-sucedida.


Quais são as taxas de sucesso do coito programado?

Ainda que seja a mais simples das técnicas de reprodução assistida, quando é bem indicado o coito programado proporciona ótimas chances de gravidez. Os percentuais acompanham os da gestação espontânea: entre 20% e 25% a cada ciclo de tratamento.


O tratamento pode ser repetido por até 6 ciclos, embora a gravidez geralmente ocorra nos

iniciais, depois disso perde em eficácia e a indicação passa a ser a inseminação artificial (IA)

ou a fertilização in vitro (FIV), de acordo com cada caso.