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Azoospermia (distúrbio de infertilidade masculina): veja o que é



Para que a gravidez ocorra os sistemas reprodutores feminino e masculino devem funcionar

perfeitamente.

Por exemplo, a cada ciclo menstrual os ovários devem liberar um óvulo, capturado pela tubas

uterinas onde a fecundação acontece.

Para fecundá-lo, milhares de espermatozoides são liberados pela ejaculação. Durante o trajeto até as tubas uterinas, entretanto, os menos saudáveis são naturalmente eliminados pelo organismo feminino e, ao final, apenas um deles vence a corrida.

O embrião formado é transportado pelas tubas uterinas ao útero, onde implanta no

endométrio, camada interna do útero, iniciando a gestação.

Diferentes condições podem provocar alterações nesse processo resultando em infertilidade

feminina ou masculina. A azoospermia está entre as principais causas da masculina e pode

ocorrer como consequência de obstruções que impedem a saída ou interferem no processo de produção dos espermatozoides.

Este texto explica o problema, destacando os tipos, o que pode causar cada um e como

engravidar a parceira quando há o diagnóstico de azoospermia. Boa leitura!


O que é azoospermia?

Ainda que a azoospermia seja um fator comum de infertilidade masculina, não é uma

doença, mas uma condição cujas causas afetam o funcionamento normal do sistema

reprodutor masculino resultando na ausência de espermatozoides no sêmen.

Os espermatozoides são produzidos nos túbulos seminíferos, estruturas enoveladas localizadas nos testículos. A maturação final acontece nos epidídimos, momento em que a cauda é formada, um tipo de flagelo responsável pela motilidade.

Quando ocorre a ejaculação, os maduros são transportados aos dutos deferentes e

incorporados ao sêmen, formado por fluídos produzidos pelas vesículas seminais, glândulas

bulbouretrais e próstata: o sêmen os abriga, nutre e protege contra o ambiente ácido da

vagina, além de facilitar o transporte até as tubas uterinas para encontrar o óvulo.

Se os espermatozoides não estiverem presentes no sêmen ejaculado, portanto, não há

fecundação. Após a investigação a azoospermia é classificada como obstrutiva ou não

obstrutiva.


Conheça, abaixo, as causas e características de cada tipo:


Azoospermia obstrutiva

Esse tipo de azoospermia, conhecido ainda como pós-testicular, é o mais comum. A ausência

de espermatozoides surge como consequência de um bloqueio, nos epidídimos, dutos

deferentes ou ejaculatórios, impedindo o transporte dos espermatozoides. As principais causas

são:

 Inflamações que afetam o sistema reprodutor masculino e urinário, como epididimite,

dos epidídimos, orquite, dos testículos, prostatite, da próstata e uretrite da uretra. Elas

geralmente são causadas por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs),

principalmente clamídia ou gonorreia, e podem resultar na formação de aderências que

provocam as obstruções;

 Cistos e massas tumorais (tumores benignos ou malignos);

 Ejaculação retrógada, quando o sêmen flui para bexiga em vez de sair pela uretra

durante o orgasmo.


Azoospermia não obstrutiva

Na azoospermia não obstrutiva a ausência de espermatozoides resulta da diminuição ou

interrupção da produção. É subdividida em pré-testicular e testicular:

 Pré-testicular: mais rara, é um problema genético ou hormonal em que os testículos,

apesar de normais, não produzem espermatozoides;

 Testicular: é consequência de doenças como a varicocele, caxumba, insuficiência

renal ou diabetes, de alterações nos níveis dos hormônios masculinos e de danos

testiculares.

Mesmo a azoospermia sendo um problema grave de infertilidade ainda é possível ter filhos

com o auxílio da reprodução assistida, particularmente por fertilização in vitro com ICSI

(injeção intracitoplasmática de espermatozoides.

FIV com ICSI e azoospermia

A injeção intracitoplasmática de espermatozoides foi incorporada à FIV na década de 1992 e

proporcionou a solução de infertilidade masculina provocados por fatores mais graves, entre

eles a azoospermia. O tratamento é, inclusive, a única forma de tornar-se pai biológico.

Na técnica, os espermatozoides são recuperados diretamente dos epidídimos ou dos testículos

por diferentes métodos cirúrgicos: PESA e MESA, possibilitam a recuperação dos epidídimos,

utilizadas quando a azoospermia é obstrutiva, enquanto Tese e Micro-Tese os recuperam dos

testículos se a azoospermia for não obstrutiva:


PESA: esse método prevê a aspiração dos espermatozoides com a utilização de uma agulha

fina conectada a uma seringa: a agulha perfura a bolsa escrotal aspirando o líquido dos

epidídimos que pode conter espermatozoides. O procedimento é bastante simples, realizado

em ambiente laboratorial apenas com o uso de anestesia local;

MESA: na MESA é feita uma incisão na bolsa escrotal para expor os testículos e os epidídimos.

Um microscópio de alta magnificação auxilia na identificação dos que possuem uma quantidade

maior de líquido seminal para ser aspirado. É um procedimento cirúrgico, embora

minimamente invasivo, realizado em ambiente hospitalar com a utilização de anestesia local;

TESE: nesse método, realizado à olho nu, os espermatozoides são recuperados por biópsia

aberta. Os testículos também são expostos a partir de uma incisão na bolsa escrotal e os

túbulos seminíferos que podem conter espermatozoides, extraídos;

Micro-TESE: o processo para a recuperação de espermatozoides é semelhante nas duas

técnicas, se diferencia apenas pelo uso de um microscópio, que proporciona a avaliação mais

detalhada dos túbulos seminíferos e, dessa forma, a recuperação de uma quantidade maior.

Tese e Micro-Tese são procedimentos realizados em ambiente hospitalar, com a utilização de

anestesia local.

Depois de coletados os melhores espermatozoides são selecionados pelo preparo seminal,

técnica que os capacita possibilitando, assim, que apenas os mais saudáveis sejam utilizados

na fecundação.

O processo de fecundação é realizado em laboratório. Na FIV com ICSI cada espermatozoide é novamente avaliado individualmente, em movimento, e injetado diretamente no citoplasma do óvulo por um micromanipulador de gametas, aparelho de alta precisão.

Assim, mais óvulos são fecundados e, consequentemente, mais embriões saudáveis formados.

Após alguns dias de cultivo, são transferidos ao útero onde implantam no endométrio, camada de revestimento interna, iniciando a gestação.