Fertilização in vitro - FIV
- 8 de nov. de 2021
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A fertilização in vitro (FIV) é uma técnica de alta complexidade realizada em tratamentos de
reprodução assistida. Com os recursos avanƧados dessa tĆ©cnica, Ć© possĆvel monitorar as
diversas etapas do processo de concepção humana e aumentar as taxas de gravidez em casais inférteis.
A FIV Ć© indicada quando os pacientes apresentam fatores graves de infertilidade, os quais
impedem uma gestação natural e não podem ser solucionados com as técnicas de baixa
complexidade ā coito programado e inseminação artificial. Problemas uterinos, tubĆ”rios e
espermÔticos, bem como idade materna avançada, estão entre os fatores superados com a
FIV.
As taxas de sucesso da FIV são altas, o que justifica o aumento na procura por esse tipo de
serviƧo mƩdico. AlƩm das etapas principais do tratamento, hƔ ainda um conjunto de tƩcnicas
complementares que atuam em problemas especĆficos apresentados pelos casais infĆ©rteis,
ampliando as chances de gestação.
Para quem a FIV Ć© indicada?
A FIV é indicada para casais que enfrentam dificuldades para engravidar devido à uma série de condições. Os fatores de infertilidade são encontrados igualmente em homens e mulheres, isto é:
40% dos casais apresentam problemas masculinos; 40% identificam desordens femininas;
em 10% dos casos, ambos os parceiros têm alguma dificuldade reprodutiva; outros 10% são
classificados como infertilidade sem causa aparente (ISCA).
Alguns desses casos de infertilidade são simples de solucionar, enquanto os mais complexos
são indicados à FIV. Resumidamente, a técnica é bem-sucedida diante das seguintes
situaƧƵes:
ļ· tubas uterinas obstruĆdas;
ļ· doenƧas e malformaƧƵes uterinas ā miomas, pólipos, adenomiose, Ćŗtero septado,
entre outras;
ļ· endometriose;
ļ· baixa reserva ovariana;
ļ· idade materna avanƧada;
ļ· alto risco de transmissĆ£o de alteraƧƵes genĆ©ticas;
ļ· histórico de abortamento de repetição;
ļ· problemas masculinos, como ausĆŖncia de espermatozoides no ejaculado
(azoospermia), alto Ćndice de fragmentação do DNA espermĆ”tico e alteraƧƵes graves
na motilidade ou na morfologia dos gametas;
ļ· reprodução de casais homoafetivos.
Como Ć© o passo a passo do tratamento com FIV?
Como dissemos, a FIV Ʃ um tratamento de alta complexidade, portanto, passa por uma sƩrie
de etapas e inclui diversos procedimentos que permitem a reprodução humana em ambiente
laboratorial. Ao final desse percurso, os embriões são colocados no microambiente intrauterino
para ter as condiƧƵes ideais de desenvolvimento.
Assim, a FIV Ć© realizada por meio das seguintes etapas:
1- Estimulação ovariana
Começamos com a estimulação ovariana, cujo objetivo é recrutar um grande número de
folĆculos para o desenvolvimento e obter vĆ”rios óvulos maduros em um mesmo ciclo ā
lembrando que no processo ovulatório natural, somente um óvulo é liberado a cada vez.
A estimulação ovariana Ć© feita com hormĆ“nios que aumentam a função dos ovĆ”rios ā as doses
sĆ£o ajustadas de acordo com as caracterĆsticas e necessidades de cada paciente. O
desenvolvimento dos óvulos Ć© monitorado com exames de ultrassom e anĆ”lises dos nĆveis de
estradiol.
2- Maturação dos óvulos
Quando os folĆculos atingem o diĆ¢metro ideal para ovulação (18 mm ou mais), realiza-se nova
administração hormonal, com gonadotrofina coriÓnica humana (hCG), para promover a
maturação final dos óvulos e induzir a ovulação.
Cerca de 35 horas após o uso de hCG, antes que a ovulação de fato aconteça e os óvulos se
dispersem pelas tubas uterinas, fazemos a punção dos folĆculos.
3- Coleta dos óvulos
A punção folicular é feita em ambiente cirúrgico, com a paciente sob sedação. O procedimento
Ć© simples e realizado com acompanhamento ultrassonogrĆ”fico. Assim, os folĆculos sĆ£o
aspirados por uma agulha fina acoplada a um sistema de sucção e encaminhados para o
embriologista, que farĆ” a coleta dos óvulos no lĆquido folicular. Os gametas sĆ£o analisados e
selecionados de acordo com o nĆvel de maturação.
4- Coleta dos espermatozoides
Os gametas masculinos também são coletados enquanto a mulher passa pela punção dos
óvulos. A coleta do sĆŖmen Ć© realizada na própria clĆnica de reprodução assistida, por meio de
masturbação ā Ć© orientado um perĆodo prĆ©vio de no mĆnimo 3 dias de abstinĆŖncia sexual.
A amostra obtida Ʃ submetida a tƩcnicas de preparo seminal para separar os espermatozoides
das outras substĆ¢ncias contidas no sĆŖmen ā toxinas, cĆ©lulas nĆ£o germinativas etc. A
preparação do esperma também permite avaliar a motilidade e morfologia dos gametas para
selecionar os mais preparados para o processo de fertilização.
5- Fertilização
Os óvulos podem ser fertilizados com a técnica clÔssica ou com injeção intracitoplasmÔtica de
espermatozoides (ICSI). Na FIV clÔssica, os espermatozoides e o óvulo são colocados em uma
placa de petri, armazenada em uma incubadora com condições adequadas de cultivo. Assim, é esperado que os gametas masculinos se movam até o óvulo e um deles complete o processo de fecundação para dar origem ao embrião.
Na FIV ICSI, é utilizado um microscópio que possibilita a micromanipulação de um único
espermatozoide por vez, com boa morfologia e motilidade, para injetĆ”-lo diretamente no
interior de um óvulo maduro. Essa técnica é indicada principalmente para casais com
infertilidade masculina grave.
6- Cultivo embrionƔrio
Os embriões gerados pelo processo laboratorial de fertilização continuam em cultivo nas
incubadoras que simulam as condições do ambiente uterino. Durante seus primeiros dias, eles são monitorados por um embriologista e classificados conforme o ritmo de divisão celular (clivagens) e o desenvolvimento morfológico.
Existe a possibilidade de transferir os embriões para o útero materno com 3 dias de cultivo ou
em estÔgio de blastocisto, com 5 dias. O protocolo de transferência é definido a partir de uma
avaliação individualizada do casal, considerando que nem todos os embriões resistem ao
perĆodo de cultura estendida.
Assim, precisamos avaliar fatores como a qualidade dos óvulos e espermatozoides, a idade da mulher, o Ćndice de fragmentação do DNA espermĆ”tico etc. Nesses casos, o embriĆ£o pode nĆ£o chegar ao estĆ”gio de blastocisto fora do Ćŗtero, mas pode ter mais chances de sobrevida no microambiente intrauterino, sendo preferĆvel a transferĆŖncia com 3 dias de cultivo.
7- Transferência dos embriões para o útero
A transferência é um procedimento simples, que consiste em colocar os embriões na cavidade uterina utilizando um cateter. No momento da transferência, os pacientes decidem, sob orientação médica, quantos embriões serão transferidos e quantos serão congelados para uso futuro ou doação.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM): mulheres com menos de 35 anos
podem receber apenas 2 embriões por ciclo de FIV; entre 36 e 39 anos, são permitidos 3
embriões em uma transferência; acima dos 40 anos, a paciente pode receber até 4 embriões.
8- Criopreservação dos embriões excedentes
à comum que sejam formados mais embriões do que o necessÔrio para uma transferência.
Sendo assim, os excedentes são congelados para uso posterior, caso os pacientes precisem de mais tentativas, devido a falhas de implantação, ou queiram outra gestação após alguns anos.
A doação de embriƵes tambĆ©m Ć© uma alternativa que pode ajudar outras pessoas a formarem uma famĆlia.
O congelamento Ć© indicado em outras situaƧƵes especĆficas, como a sĆndrome do hiperestĆmulo ovariano (SHO), que resulta em altos nĆveis de estrógeno e diversos efeitos adversos no Ssistema reprodutor feminino. Nessa situação, recomenda-se a vitrificação de todos os embriƵes (freeze-all) para transferĆŖncia no ciclo seguinte.
A indicação de freeze-all também é feita quando o casal opta pela realização do teste genético pré-implantacional (PGT), cujo resultado da anÔlise pode demorar vÔrios dias, ou quando a mulher precisa passar pelo teste de receptividade endometrial (ERA).
9- Teste de gravidez
Por fim, após todas as etapas do tratamento de FIV, a paciente é orientada a realizar o teste
de gravidez, beta hCG, cerca de 10 a 12 dias após a transferência dos embriões. O casal deve
estar ciente que, apesar das altas taxas de sucesso da FIV, vƔrios fatores podem impedir a
confirmação da gestação.
Quando o resultado é negativo, novas tentativas são feitas em ciclos posteriores com os
embriƵes que foram congelados, sem que os pacientes precisem passar por todas as etapas
novamente.
Quais são as principais técnicas complementares à FIV?
AlƩm de todas as etapas e procedimentos que vimos acima, a FIV pode ser complementada
com tĆ©cnicas que individualizam o tratamento, tendo em vista as caracterĆsticas de cada caso.
As principais técnicas de apoio são:
ļ· Retirada cirĆŗrgica de espermatozoides (PESA, MESA, TESA, TESE e Micro-TESE) nos
casos em que o homem apresenta azoospermia;
ļ· PGT ā teste genĆ©tico que faz o rastreio de anormalidades nos genes e cromossomos
dos embriƵes;
ļ· - Endometrial Receptivity Array (ERA) ā teste molecular que avalia a receptividade
uterina;
ļ· - Vitrificação ā tĆ©cnica de congelamento para preservação de gametas e embriƵes;
ļ· - Hatching assistido ā eclosĆ£o artificial da zona pelĆŗcida (membrana que circunda o
embrião) para facilitar a implantação;
ļ· - Doação de gametas e embriƵes ā tĆ©cnica que possibilita a experiĆŖncia da gestação
com o material genƩtico de doadores anƓnimos;
ļ· - Ćtero de substituição (barriga de aluguel) ā participação de uma cedente temporĆ”ria
de útero, que carregarÔ os embriões formados com os gametas de casais que não têm
condiƧƵes uterinas apropriadas.



